Comissão da ONU tem provas suficientes para condenar Assad, diz investigadora

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Carla Del Ponte, membro da Comissão de Investigação da ONU na Síria, disse que a comissão reuniu provas suficientes para que o Presidente sírio Bashar al-Assad seja condenado por crimes de guerra.

Questionada numa entrevista ao jornal suíço Sonntags Zeitung se havia provas suficientes para condenar Assad, Carla Del Ponte respondeu: “Sim, estou convencida que é esse o caso. Por isso é que a situação é tão frustrante. O trabalho preparatório está feito. Apesar disso, não há tribunal”.

Del Ponte, antiga procuradora geral suíça, foi a responsável pela acusação por crimes de guerra no Ruanda e na antiga Jugoslávia. Anunciou na semana passada que irá abandonar a comissão, frustrada com a incapacidade de continuar o trabalho da comissão com a criação de um tribunal especial para a Síria que possa julgar alegados crimes de guerra. No entanto, não revelou quando vai sair.

O Governo sírio liderado por Assad tem negado os relatórios da comissão que vão sendo conhecidos documentando crimes de guerra que terão sido cometidos pelas forças governamentais e serviços de segurança da Síria.

Del Ponte integra desde setembro de 2012 o grupo de três pessoas que realizam o inquérito à Síria, e que tem reportado ataques com armas químicas, genocídio e bombardeamentos de colunas de ajuda humanitária.

A comissão foi estabelecida em agosto de 2011, e tem reportado com frequência violações dos direitos humanos, mas os seus apelos para o respeito das leis internacionais não têm surtido efeito.

Apesar de as Nações Unidas estarem a preparar um organismo especial para preparar acusações, não há sinal de que seja estabelecido um tribunal para julgar alegados crimes ocorridos na guerra de seis anos e meio na Síria. Nem haverá intenção de as Nações Unidas de apontar a situação ao Tribunal Penal Internacional de Haia, refere a agência Reuters.

“Durante seis anos, a comissão investigou. Agora, um acusador deverá continuar o nosso trabalho e levar os crimes perante um tribunal especial. Mas é exatamente isso que a Rússia está a bloquear com o seu veto no Conselho de Segurança da ONU”, referiu Del Ponte, citada no jornal.

 

c/Reuters

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