Estreia  

"Titanic": para quê o 3D?

O "Titanic", de James Cameron, está de volta às salas de cinema, desta vez a três dimensões. Será que o fenómeno de popularidade de 1997 se vai repetir?

Titanic: para quê o 3D?
Kate Winslet, Leonardo DiCaprio e James Cameron: na rodagem de "Titanic"
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 Titanic: para quê o 3D?
Titanic (3D) Esta é a história da menina rica e do menino pobre que se encontram no navio inafundável, o majestoso Titanic. A bordo desse navio, autêntico retrato da sociedade desse século, os dois apaixonam-se e vivem uma curta mas intensa história de amor…

"Titanic" é, por certo, um dos filmes mais sobrevalorizados da história recente do cinema. A questão é tanto mais incómoda quanto essa sobrevalorização decorre menos dos juízos de valor (naturalmente diversos) e mais, muitíssimo mais, de uma matriz jornalística (?) que triunfou em muitos campos. A saber: os filmes valeriam, antes de tudo o mais, pelo número de milhões de dólares que custaram ou renderam.

Hábil na produção de uma certa exuberância visual, mas apenas funcional na gestão da escrita melodramática, James Cameron possui o mérito indiscutível de ter revalorizado um importante dado (cultural & comercial): o retorno de muitos espectadores às salas. Mais do que isso: a reconquista de algumas faixas etárias (os mais idosos) que tinham perdido o hábito de consumir filmes nessas mesmas salas.

Escusado será dizer que tal mérito não pode ser medido apenas através dos cifrões. É, acima de tudo, um fenómeno que importa situar em função da multiplicação de plataformas de difusão (DVD, televisão por cabo, downloads...) e da sua perversa desvalorização do modo mais tradicional de acesso aos filmes.

A estreia da versão em 3D parece inserir-se numa estratégia ainda de retorno às salas, além do mais tirando partido da efeméride do centenário (o Titanic foi ao fundo no dia 15 de Abril de 1912). E digo "parece" porque o seu principal trunfo é o 3D, ou seja, um complemento técnico que, em qualquer caso, é exterior à produção original do filme.

Porquê o 3D no "Titanic"? E, sobretudo, para quê? Insolitamente, o filme não foi, agora, mostrado à imprensa, como se o mercado, deliberadamente ou por distracção, desvalorizasse o tratamento jornalístico do assunto... Uma coisa é certa: "Titanic" está aí de novo, apostando em confirmar os ecos dos seus sucessos históricos.

Crítica de João Lopes
publicado 16:07 - 06 abril '12

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